Girls of Riyadh

15 09 2008

This week my review is about Rajaa Al-Sanea’s novel “Girls of Riyadh”. From time to time you’ll find out about interesting books I’m reading or read. Go to Book of words (or click on top of this page) to read the full article about this amazing book written by a Saudi young girl and how she lets us know about her veiled society and the concerns of four upper class young women. Feel free to comment and suggest other titles. Enjoy it!





Cotonou motorizada

14 09 2008

Uma das coisas que mais chama a atenção em Cotonou, capital do Benin, é a enorme quantidade de motos. O veículo de duas rodas motorizado é utilizado para tudo, inclusive para carregar crianças e bebês, mercadorias, e ainda são usados como táxis. Regras de trânsito são inexistentes, assim como capacetes e semáfaros. A razão para tantas motos é a ausência de um sistema de transporte público. A saída para os beninenses é alugar ou comprar uma moto para se locomoverem, ou para ganhar algum dinheiro, transportando pessoas.

Baratas e com tecnologia antiga, essas motocicletas são altamente poluentes. Não raro os motoristas – ou zémidjan, que significa taxista-moto trafegam com máscaras para se protegerem da poluição.

Entenda como funciona a vida sob duas rodas em Cotonou clicando aqui para acessar a reportagem (em espanhol) de Mariona Vivar, com fotos de Samuel Rodrigues, ambos espanhóis.

Vídeo (em francês) produzido por Mariona Vivar para o Alternative Channel.





As mulheres cantam

14 09 2008

Cotonou, 1o. de Julho de 2008.

Foi um dia difícil. Acordamos, tomamos um café da manhã simples e entramos todos na van. Mais ou menos umas 16 pessoas num veículo, três horas de viagem por ruas empoeiradas e vilarejos pobres sob um calor de mais de 35 graus. O destino, Zagnanado, um vilarejo no meio do nada. Um lugar onde as mudanças climáticas começaram a ser sentidas e enfrentadas pelos moradores com ações práticas e eficientes.

Mulheres de Zagnanado

veja o vídeo clicando no link acima

“Il n’y a plus de bois dans la nature” diz uma moradora (Não tem mais madeira na natureza), referindo-se a escassez de árvores nas matas e a falta de madeira para a utilização na cozinha. Mas ela dá a receita: “Ce pour ça qu’on plante des arbres”, diz ela, explicando por quê as mulheres de seu povoado resolveram sair plantando árvores. Nesta comunidade, há muito mais mulheres do que homens. Em uma mesma família, existem 30 mulheres e apenas cinco homens! O sexo feminino tem um papel muito importante na agricultura africana, elas são ligadas a fertilidade, por isso as mulheres são responsáveis pela coleta de água que ara os campos e pelo preparo da comida.

Mulher dá explicações aos jornalistas. Ao fundo, o forno ecológico.
Mulher dá explicações aos jornalistas. Ao fundo, o forno ecológico.

A busca por madeira e a percepção da escassez e destruição das árvores conscientizou as mulheres do povoado sobre a necessidade de replantio, além de trazer à tona soluções criativas para lidar com os problemas do clima. Com o apoio da ONG Organization des Femmes pour la Gestion de l’Energie du Bénin e suporte do World Food Program, essas mulheres criaram um forno de cozinhar que consome três vezes menos madeira e cozinha muito mais rápido do que o utilizado anteriormente.  O resultado é menos árvores abatidas e mais árvores plantadas. Entre as mulheres do grupo, algumas são encarregadas de passar a técnica adiante. A formação é gratuita.

Combústivel para a vida

No mesmo lugar, outro exemplo de criatividade. Dotan, uma comunidade que planta sementes e produz biocombústivel quer substituir a gasolina por causa da alta dos preços e do aquecimento global. O grupo consegue produzir até 2.500 litros por hectar de terra e conta com 120 pessoas trabalhando no projeto. O resultado do trabalho é vendido no mercado, mais barato que a gasolina comum. Aos críticose, eles avisam que não pararam de produzir comida para para produzir biocombústivel.

Nada disso é novo e podemos encontrar muitos exemplos no Brasil e mundo afora. O que chama a atenção e faz a gente parar para pensar é que essas pessoas vivem no meio do mato, longe de qualquer cidade desenvolvida e sem o mínimo dos recursos com os quais o contamos em um país como o Brasil, por exemplo. Apesar de tudo, não se fizeram de vítima, pelo contrário, desenvolveram soluções simples, porém eficazes para lutar contra as mudanças climáticas e suas consequências. Um exemplo para o homem da cidade grande que, na ânsia de justificar o desperdício e a falta de preocupação com o planeta, se apóia na “falta de informação” ou no “não sei exatamente o que fazer” para continuar poluindo e entupindo o planeta de lixo.





Abandono pós-África

14 09 2008
Benin, pequeno pais da Costa Oeste africana

Benin, pequeno país da Costa Oeste africana

Dois meses se passaram sem que eu escrevesse uma só linha nesse blog. Esse abandono teve razões justificáveis, como por exemplo o corre-corre com as provas de final de trimestre do mestrado, o início de um trabalho novo, o fim de um trabalho novo, o “sem nada para fazer” da vida de desempregada, a viagem ao Brasil e o recomeço das aulas na universidade. Estranhamente, eu gosto de escrever nos momentos mais busy da minha vida, quando tudo acontece ao mesmo tempo eu tenho a urgência de me expressar e contar histórias. Contrariamente, na calmaria minha inspiração baixa a níveis preocupantes, eu quase não consigo escrever. Às vezes eu acho que eu funciono muito melhor sob pressão. Cercada de trabalhos para entregar, livros e fotocópias para ler, pesquisas para fazer, tendo de cumprir horários todos os dias e ainda dar conta de atividades físicas e vida pessoal, me sinto mais disposta, mais in para produzir. Preciso de estímulo constante e ininterrupto para escrever.

Bom, as aulas recomeçaram e, apesar de estar sossegada, eu decidi que preciso me mover, afinal, alguns de vocês já estão me cobrando ação!

Mãos-a-obra!

Na África

Uma semana na África me fez repensar muitas coisas. Minha primeira viagem ao Continente africano foi a trabalho, mas teve um viés pessoal muito forte, dado o país de destino: o Benin. Muitos escravos enviados

Agricultura sustentável no Benin

Agricultura sustentável no Benin

ao Brasil saíram deste pequeno país da Costa Oeste africana. Não por acaso, nossa feijoada, muqueca de peixe e arroz com feijão são pratos facilmente encontrados no Benin. A culinária brasileira é muito próxima da beninense, especialmente a cozinha baiana. Observando as mulheres e homens daquele país, também não foi difícil perceber de onde veio a nossa forte sexualidade e o famoso gingado do brasileiro. Apesar das adversidades, as mulheres são sorridentes e, à sua maneira, exalam uma certa sensualidade.

Éramos um grupo de jornalistas de diferentes países, algo em torno de 15 pessoas, mais um membro do Media21 e dois estagiários do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) de Genebra. Fora outros convidados de países vizinhos, como o Togo. Nossa estada se deu sob padrões africanos: hotel muito simples, lugar simples, e muita perna para bater e lugares para visitar. O objetivo da viagem era observar os efeitos das mudanças climáticas no país, que já sofre com o aumento do nível do mar, erosão do solo, enchentes e mudanças na estação das chuvas. Munir os jornalistas de informações práticas e fazê-los ver na real o que tinham aprendido na teoria com os especialistas em Genebra. Feito isso, todos voltariam para seus países de origem e produziriam material jornalístico sobre o assunto. Missão cumprida.

Para mim, foi uma viagem também de descobertas. De quebra de tabus e preconceitos. Pude ver de perto que que diante de grandes necessidades e mesmo com recursos escassos, o ser humano consegue responder de forma positiva e eficiente às cobranças da natureza.

A seguir, a descrição de alguns dos melhores momentos da viagem – e suas respectivas fotos – e links para reportagens e vídeos produzidos pelos colegas mundo afora. Clique em “Africa field trip” no alto desta página ou clique aqui para acessar a galeria de fotos da viagem ao Benin.