Museeka made it

26 04 2008

Museeka is one the most promising companies in EuropeSome months ago I told some friends about Museeka and it generated a couple of posts on blogs and some exposure. Since then many things happened. Despite of some people having considered Museeka as just one more “flash in the pan” company like these ones we see born and dead in six months, I want let you know that Museeka has been named one of the most promising 100 companies by Red Herring. But who or what is Red Herring? They are a global media company.

Red Herring lists the100 best start up innovative technology companies in Europe. Google, eBay and Skype are examples of companies which came out of this list. Read more…





Auto-estima

26 04 2008

Acabo de ler um artigo na BBC Brasil sobre a ausência de diversidade racial na SP Fashion Week, a maior semana de moda do Brasil e uma das mais “bam-bam-bam” do mundo. Nossas revistas femininas nunca refletiram a diversidade racial de nosso país. A TV idem. E nossa mais prestigiada semana de moda foi pelo mesmo caminho. Perdemos, mais uma vez, a chance de mostrar nossa cara para o mundo, de exportar a imagem da moda atrelada a imagem da verdadeira população de homens e mulheres negros e mestiços (todas as mestiçagens, indígena, japonesa, negra, branca etc.) desse país. De encher páginas de revistas gringas com cores e tonalidades tipicamente brasileiras. De novo recorremos a nossa falta de auto-estima para exportar um Brasil fake.

Quem lê as edições nacionais de “Elle”, “Marie Claire”, “Estilo” entre outras, simplesmente não encontra o Brasil nessas revistas. Modelos de 1m80 de altura, brancas, cabelos lisos e olhos claros, é só que vemos, como se fôssemos a Suíça ou a França e nossas mulheres fossem todas alvas ou usassem batom rosa. Na TV até bem pouco tempo negro ou era doméstico ou figurante de cadeia em novela, com raríssimas exceções. Foram poucos os que ousaram quebrar paradigmas, como a TV Manchete com “Xica da Silva”. Nossas revistas refletem um mundo que não é o nosso, uma população que não passa nem perto do que somos. Mesmo assim continuamos a comprar tais revistas e assistir a canais que não previlegiam nossa diversidade racial. Por que? Por que fazemos tanto esforço para esconder o que somos? Um problema de auto-estima, talvez. De auto-estima do negro, do mestiço, que não é aceito e por vezes não se aceita como é. De auto-estima do branco, dos fashionistas de plantão, que precisam se apoiar em padrões estéticos além-mar para convencer a si mesmos de que seus trabalhos são bons o bastante para serem considerados “quase europeu, coisa fina”. Questão de aceitação. Em ambos os casos, as raízes da inferiodade foram solidamente nutridas durante o período colonial.

No Brasil, se eu quiser saber como me maquiar tenho de comprar revista segmentada, voltada para negros. Se eu quiser ler uma feminina, tenho de me contentar e aceitar que batom roxo e blush rosa bebê nada têm a ver comigo, fechar a revista e me sentir frustrada por que a cor da sombra escolhida pelo editor de moda não pega bem para meus olhos não-azuis. Conselho de beleza? Peles brancas. Quer um olho de gata arrasador? Sem chance com esse olhinho marrom que a natureza te deu. Se não for azul ou verde, a maquiagem não serve.

Ironias a parte, por que será que tentamos tanto imitar os europeus no que diz respeito a beleza e moda? E por favor não me venham com respostas como “Por que a moda vem de lá pra cá e a Europa é sempre tendência”. Não precisa chover no molhado. Eu vivo na Europa e acredito 100% que o Brasil pode exportar moda (como já vem fazendo), fazer sua própria moda, até por que aqui o padrão ‘etnico-cultural-social’ é muito diferente do nosso. Eu sou a favor de que se copiem os bons exemplos, mas até a nossa diversidade racial querem falsificar. Quem vê o Brasil daqui da Europa pela imprensa feminina local ou pelos desfiles de moda nem imagina o quão rica, exótica e esplendidamente misturada é a nossa população.

‘O quê, não tem mercado para modelos negros?’ Que papo mais furado. Quem faz o mercado são vocês, editores de revistas, são os estilistas que escolhem as modelos para seus desfiles, são as agências de publicidade que montam as peças publicitárias, são os produtores de elenco de TV e por fim, é o povo que consome o produto final das vossas criações. Isso é o mercado, é cada um de nós juntos, cada qual com seu papel, sendo ao mesmo tempo representante e representado.

Daqui a pouco vem alguém dizer: “Ah, mas as coisas estão mudando”.

Uma pergunta: por que, sendo o país mais mestiço do mundo, nossas famosas e bem faladas top models são todas brancas? Só para citar algumas como Alessandra Ambrósio, Adriana Lima (que é  mulata, mas é vista como branca por que tem olhos verdes e cabelos lisos/encaracolados, pele clarinha, beleza diferente, porém próxima da beleza caucasiana), Ana Beatriz Barros, Ana Cláudia Mitchels, Isabelli Fontana, Fernanda Tavares, Mariana Weickert e por aí vai. Será que não existem negras e mestiças, indígenas e japonesas lindas no Brasil? A mundialmente famosa e cantada beleza da mulher brasileira só encontra pares entre as mulheres brancas de nosso país?

Quizz

Alguém aí tem o nome de uma top model brasileira negra ou mestiça (vale qualquer mestiçagem: japonesa, índia etc.) estampando a capa das versões tupiniquim de “Vogue”, “Elle”, “Nova” (Cosmopolitan) e outras?

Qual a top model brazuca negra, mestiça ou índigena que fez sucesso lá fora, voltou e virou atriz de novela das oito da Globo?

Bom, eu tenho estado fora fo Brasil há algum tempo, mas talvez vocês possam dizer quando foi a última edição da “Playboy” ou da “Claudia” com mulheres não-brancas na capa? Favor não citar as bronzeadinhas da “Playboy” como exemplo…

Somos provavelmente o país com a maior população negra do mundo fora da África, mas as pessoas só ficam sabendo disso no ‘Google’. A contar pelo que vemos nas revistas e na TV, no Brasil as mulheres, em geral, se parecem com Letícia Birkheuer ou Carolina Dieckmann. E também não adianta vir com coisas do tipo: “Ah, a Marie Claire já colocou negro na capa sim”. Sim, colocoram, numa edição comemorativa no ano 2000. É sempre assim: ou é edição comemorativa ou é matéria sobre negro. Por que não publicar negros e outras etnias em páginas de revista apenas por serem bonitos ou bons modelos?

Sinceramente, tem dias que mesmo vivendo em um país tão diferente do nosso (Suíça), eu me sinto mais valorizada. Aqui as pessoas adoram meu cabelo louco, pra cima, crespo. No Brasil é uma pressão pra gente alisar o cabelo, uma febre de chapinha que Deus me livre. Aqui as pessoas gostam de coisas mais autênticas, valorizam belezas exóticas e diferentes.

Blond girl

Temos uma legião de mulheres com feições nordestinas e nortistas, biotipo extremamente diferente do caucasiano blond. Mas para sair com o jogador de futebol, para conseguir um teste na novelinha das sete ou para receber uma ligação da Playboy, precisam ‘estar’ loiras. Para rebolar a bundinha precisa virar loira. E tão logo a fulana consiga uma certa exposião, pimba! Logo aparece loira! É um culto rídiculo e doentio de um padrão de beleza longe do nosso. Aliás, ser loira no Brasil virou estilo de vida. Não basta pintar o cabelo, precisa viver o jeito loira de ser, a saber: usar pouca ou quase nenhuma roupa, posar nua, namorar uma pseudo-celebridade, conseguir uma ponta no Zorra Total (ou numa novela das sete, se tiver sorte), ou entrar para o BBB; sair na revista Caras em manchetes como “A loira fulana de tal na Ilha de Caras”.

Sim, alguns de nós somos loiras e loiros no Sul. Somos negros na Bahia. Somos índigenas no Amazonas. Somos mestiços nos cantões do Brasil, um mosaico de etnias em São Paulo. Tudo isso compõe o Brasil. Brasil esse que o mundo ‘fachion’ não aceita, por que ser europeu é mais legal, mais cool, mais in. No cool dessa gente! Me pergunto qual é o Brasil que o europeu daqui que vê a SP Fashion Week pela TV e internet conhece? E quando ele viaja ao Brasil, como é, para ele, o choque dos Brasis? o Brasil real com o Brasil fake? Esse complexo de inferioridade é nosso, exclusivamente nosso. Aqui na Europa as pessoas acham o máximo a diversidade cultural e étnica do Brasil. Nosso país é in aqui. Nós é que ainda não perdemos a mania de se rebaixar.

Não fica difícil entender porque muitos acreditam que o brasileiro desvaloriza a própria imagem.

Vá nesse link olhe as fotos e me responda: pelas fotos, ambiente e perfil dos modelos, você imaginaria que se trata de uma semana de moda no Brasil se ninguém te falasse?