
Benin, pequeno país da Costa Oeste africana
Dois meses se passaram sem que eu escrevesse uma só linha nesse blog. Esse abandono teve razões justificáveis, como por exemplo o corre-corre com as provas de final de trimestre do mestrado, o início de um trabalho novo, o fim de um trabalho novo, o “sem nada para fazer” da vida de desempregada, a viagem ao Brasil e o recomeço das aulas na universidade. Estranhamente, eu gosto de escrever nos momentos mais busy da minha vida, quando tudo acontece ao mesmo tempo eu tenho a urgência de me expressar e contar histórias. Contrariamente, na calmaria minha inspiração baixa a níveis preocupantes, eu quase não consigo escrever. Às vezes eu acho que eu funciono muito melhor sob pressão. Cercada de trabalhos para entregar, livros e fotocópias para ler, pesquisas para fazer, tendo de cumprir horários todos os dias e ainda dar conta de atividades físicas e vida pessoal, me sinto mais disposta, mais in para produzir. Preciso de estímulo constante e ininterrupto para escrever.
Bom, as aulas recomeçaram e, apesar de estar sossegada, eu decidi que preciso me mover, afinal, alguns de vocês já estão me cobrando ação!
Mãos-a-obra!
Na África
Uma semana na África me fez repensar muitas coisas. Minha primeira viagem ao Continente africano foi a trabalho, mas teve um viés pessoal muito forte, dado o país de destino: o Benin. Muitos escravos enviados

Agricultura sustentável no Benin
ao Brasil saíram deste pequeno país da Costa Oeste africana. Não por acaso, nossa feijoada, muqueca de peixe e arroz com feijão são pratos facilmente encontrados no Benin. A culinária brasileira é muito próxima da beninense, especialmente a cozinha baiana. Observando as mulheres e homens daquele país, também não foi difícil perceber de onde veio a nossa forte sexualidade e o famoso gingado do brasileiro. Apesar das adversidades, as mulheres são sorridentes e, à sua maneira, exalam uma certa sensualidade.
Éramos um grupo de jornalistas de diferentes países, algo em torno de 15 pessoas, mais um membro do Media21 e dois estagiários do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) de Genebra. Fora outros convidados de países vizinhos, como o Togo. Nossa estada se deu sob padrões africanos: hotel muito simples, lugar simples, e muita perna para bater e lugares para visitar. O objetivo da viagem era observar os efeitos das mudanças climáticas no país, que já sofre com o aumento do nível do mar, erosão do solo, enchentes e mudanças na estação das chuvas. Munir os jornalistas de informações práticas e fazê-los ver na real o que tinham aprendido na teoria com os especialistas em Genebra. Feito isso, todos voltariam para seus países de origem e produziriam material jornalístico sobre o assunto. Missão cumprida.
Para mim, foi uma viagem também de descobertas. De quebra de tabus e preconceitos. Pude ver de perto que que diante de grandes necessidades e mesmo com recursos escassos, o ser humano consegue responder de forma positiva e eficiente às cobranças da natureza.
A seguir, a descrição de alguns dos melhores momentos da viagem – e suas respectivas fotos – e links para reportagens e vídeos produzidos pelos colegas mundo afora. Clique em “Africa field trip” no alto desta página ou clique aqui para acessar a galeria de fotos da viagem ao Benin.
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